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03/05/2019

A gestão de frotas envolve desafios além dos já conhecidos por todos: reduzir os custos com combustível e com a manutenção está passando a dividir espaço com outras preocupações, tão ou mais relevantes que essa, como a segurança dos colaboradores, a mudança de mentalidade em relação às formas de condução e os impactos ao meio ambiente.

Colocar em pauta novas prioridades da gestão é essencial: o novo mundo exige um comportamento diferenciado de quem está à frente da gestão de uma frota. Hoje, tornar-se um gestor de mobilidade e de vidas é essencial, é preciso ter zelo pela vida dos seus condutores e também pela vida das pessoas que possam cruzar pelo mesmo caminho. Repensar a mobilidade para mudar uma cidade, e uma empresa, é obrigatório quando se quer tornar-se protagonista de um futuro que está surgindo.

 

GESTÃO DE VIDAS É MAIS QUE GESTÃO DE FROTAS

Quando Édison da Rocha assumiu a gestão de frotas da DB Diagnósticos muita coisa precisava mudar – analisando os problemas e unindo todas as pontas, decidiu agir primeiro no que influenciava a vida dos seus motoristas, afinal, maior qualidade de vida sempre foi sinônimo de maior produtividade.

As mudanças começaram logo pela troca da frota: os veículos antigos foram substituídos por novos carros, com ar condicionado, direção hidráulica e freio ABS – itens que fazem diferença na segurança e no conforto do motorista. Além disso, até os uniformes foram trocados, por roupas mais frescas e confortáveis. A parceria entre gestor de frota e motoristas foi essencial para a mudança de mentalidade como um todo: “Os motoristas entenderam que estava do lado deles e, a partir daí, tudo era questão de troca e parceria”, conta Édison da Rocha.

A partir daí, era hora de otimizar a gestão e reduzir custos. Essa tarefa também impactava na vida dos funcionários: alguns motoristas precisavam fazer rotas longas em pouco tempo, tomando muito tempo do dia, além de atrapalhar atividades simples, como a hora do almoço. Édison explica que foi preciso otimizar os caminhos: repassando clientes próximos e sempre adicionando os novos clientes em rotas que faziam sentido e economizavam tempo e combustível.

Novos modais também foram essenciais para tornar a frota mais eficiente: motos e drones passaram a integrar a frota da DB Diagnósticos. Rocha explica que as motos economizam muito tempo na rota, por serem mais fáceis de estacionar e conseguirem driblar o trânsito, apesar disso, alguns clientes apresentavam alguma resistência em entregar o material com motos. A solução foi o próprio resultado do modal, mais rápido, economizava em entregas que precisavam ser conciliadas com horários de voos, por exemplo, já que algumas localidades tinham apenas um ou dois voos por dia.

A caixa de transporte também foi repensada – por transportar material biológico, as temperaturas das caixas conservadoras são controladas via internet, evitando qualquer dano ao conteúdo transportado. Os drones são outro facilitador na questão de tempo e em pequenas distâncias: entre hospitais e laboratórios, é uma opção para entregas que precisam ser feitas rápidas – não precisam encarar o desafio que é o trânsito das grandes cidades e são eficientes para transportar cargas de menor volume.

 

SEGURANÇA E PRATICIDADE

No caso da gestão de frota da Diversey Brasil, foi a preocupação da segurança que fez com que o cenário mudasse. O presidente da empresa, Marco Godoy, decidiu passar a compor a frota somente com carros classificados com, no mínimo, 4 estrelas pela Latin NCAP – o tema foi também um dos discutidos na V Conferência Global PARAR. A multinacional teve a oportunidade de adquirir veículos novos e, entre opções de veículos menos seguros, o Volkswagen UP! foi escolhido para integrar a frota, destacando-se por ter 5 estrelas na classificação.

A escolha, no entanto, fez surgir outro desafio: os carros da Diversey precisavam de espaço adequado para o transporte de materiais. Marton Kiss, gerente de frota da companhia, conta que a solução veio de uma inspiração da IBM, que já havia modificado carros com uma grade divisória para esse fim. Mas o desafio continuava sem solução: “Como a área de segurança da Diversey é muito rigorosa, começou a nossa luta para que fosse aprovada a instalação da grade nos veículos. A partir daí começamos a conversar com a VW, verificando a possibilidade de um teste onde tivéssemos um laudo técnico da própria VW para garantirmos a segurança dos nossos condutores”, conta ele.

O fruto dessa conversa foi surpreendente: a Volkswagen adotou a causa e entrou em contato com o fornecedor das grades divisórias para contribuir com sugestões que iriam otimizar o sistema de fixação da grade. O engenheiros da VW, Rafael Santana da Silva e o supervisor Fábio Graton Rossi, foram os responsáveis pelo projeto e realizaram os testes de segurança dentro do próprio espaço da montadora. Os testes puderam demonstrar a capacidade das grades em evitar que as cargas transportadas pudessem atingir os ocupantes dos veículos, resultando nos laudos exigidos pela diretoria da Diversey.

 

QUANDO O ECOSSISTEMA NÃO AJUDA

Imagine administrar uma frota de mais de quatro mil veículos próprios, distribuídos por todo o país – é esse o case da Energisa, a maior frota do sistema elétrico do Brasil, liderada pelo gerente de logística da empresa, Vinícius Cardoso.

Cardoso conta que os desafios da gestão da frota da Energisa estão bem além da redução de custos: 80% da frota da empresa está distribuída pelo Brasil, em lugares remotos e de condições extremas. “Por necessidade, tivemos que adaptar veículos e torná-los anfíbios para rodar no Pantanal, por exemplo. Outro desafio é treinar 45% dos condutores para conseguir conduzir veículos 4×4 da maneira correta, para gerar menos consumo de combustível e poluição”, explica Cardoso. Aliás, o treinamento de condutores é uma das partes mais importantes da gestão: são os próprios eletricistas da empresa que conduzem os veículos e, por isso, devem estar sempre atentos às exigências de segurança.

A manutenção dos veículos também fica mais difícil nos campos de atendimento da Energisa: “A qualidade dos fornecedores muda muito, nós não vamos encontrar um posto ou uma oficina no meio de uma estrada no interior do Pantanal”, ressalta Cardoso. A solução encontrada para evitar contratempos é a manutenção preventiva, com o que o gerente chama de “Pit Stop”: no fim do dia, os veículos voltam para a garagem e são abastecidos e lavados, quando necessário, e um check-list de segurança é feito, onde são checados os pneus, as luzes, a qualidade do freio, entre outros itens que são essenciais.

Vinícius Cardoso ressalta que a telemetria tem sido uma aliada na gestão de frotas da empresa, já que ela possibilita um monitoramento ativo e efetivo do comportamento dos motoristas e do uso dos veículos. Um relatório anual sobre a emissão de poluentes também é feito: a meta é manter os valores dentro dos exigidos pelo protocolo de Quioto, mostrando que a preocupação com o meio ambiente também pode ser prioridade.

 

E ai, sua frota já está vivenciando a gestão de vidas?

 

Por: Ana Luiza Morette, Jornalista para PARAR Review. 

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