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15/07/2018

Uma das maiores tendências globais está centrada no coletivo, no colaborativo e no compartilhamento. Se fizermos uma rápida pesquisa nas editorias de economia, inovação e mercado dos diversos veículos de comunicação, não é difícil nos depararmos com especialistas e estudiosos falando sobre “economia compartilhada”. O termo, e suas aplicações, estão se propagando de forma rápida. Alguns até apontam que esse é o caminho para o futuro.

Quando falamos em mobilidade urbana, o conceito de “sharing” aparece como uma alternativa para melhorar um trânsito cada vez mais lento, estressante e caótico. Segundo o Denatran, 87 milhões veículos circularam pelo Brasil em 2014 e, se o ritmo de crescimento for mantido, chegaremos em 2022 com mais de 94 milhões veículos circulando pelo país.

Para se ter uma ideia da dimensão desse crescimento, na última década, o aumento percentual do número de veículos foi onze vezes maior do que o da população. O maior problema é que a frota de veículos cresce exponencialmente, mas a infraestrutura das cidades não acompanha esse crescimento.

Como resultado, temos deslocamentos cada vez mais complicados e trajetos mais demorados. No Rio de Janeiro, por exemplo, o carioca perde, em média, 100 horas por ano parado em congestionamentos. Se pensarmos no tempo de deslocamento, um levantamento divulgado pelo Estadão revelou que os paulistas levam em média 3 horas por dia para se descolar da casa para o trabalho e do trabalho para casa. Isso significa que ele passa 27 dias do ano no trânsito para se locomover de um a outro ponto da cidade.

Quando falamos em quantidade de veículos e trânsito congestionado, outro ponto que chama a atenção é o número de pessoas que circulam nesses carros. É bem provável que a maioria desses 87 milhões de veículos estão levando apenas uma pessoa. E é exatamente nesse ponto que o conceito de sharing se torna relevante. Quando passamos a compartilhar meios de transporte, estamos ganhando espaço urbano, liberando vias e tornando o trânsito mais eficiente. Uma pesquisa recente, feita pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), mostra que uma cidade como Nova York, Nova Deli ou São Paulo poderia funcionar perfeitamente com 20% a menos de carros do que se tem hoje. Mas por que isso não acontece?

De acordo com Marcos Paulo Schlickmann, engenheiro civil especializado em transportes e colaborador do Portal Caos Planejado, no Brasil, o carro ainda é visto como um símbolo. “As pessoas não veem o carro apenas como um meio de transporte, mas como uma extensão da própria casa. Tornam-se tão dependentes do veículo que acham que o ele é essencial para tudo e a única solução de mobilidade”, explicou. Nesse sentido, o compartilhamento chega para abrir um novo horizonte, disponibilizando soluções e  alternativas em que o acesso é mais importante do que a posse.

 

Inovações incentivam o sharing

Estamos vivenciando um momento disruptivo, em que a tecnologia está sendo usada a favor da mobilidade ao propiciar o desenvolvimento de alternativas mais econômicas e sustentáveis de transporte. Alguns empreendedores já estão investindo nesse conceito e somam esforços para um novo futuro compartilhado.

Uma plataforma que vem ganhando adeptos dos que buscam novas alternativas de transporte é o Caronetas, site de caronas que integra colaboradores de empresas e centros empresariais. “O Caronetas surgiu para contribuir com a melhor ocupação e uso dos carros. Percebemos que haviam muitas pessoas que trabalhavam na mesma empresa, moravam perto, iam todos os dias para o mesmo lugar, mas nunca haviam compartilhado isso”, explicou Marcio Nigro, CEO e fundador do Caronetas.

Uma das grandes vantagens da iniciativa, além de diminuir a quantidade de carros nas vias, é melhorar a distribuição e fluxo do trânsito. Benefício que também encontramos na utilização de transportes coletivos. De acordo estudo divulgado pelo UOL, os carros usam 22 vezes mais espaço para levar mesmo número de pessoas do que um ônibus.

Se para muitos o transporte coletivo ainda não desponta como a melhor alternativa, devido às suas condições estruturais e demora dos trajetos, uma solução promete conciliar as vantagens das vans e dos micro-ônibus com a tecnologia de informação. O chamado micro-transporte já está fazendo sucesso nos EUA e deve chegar ao Brasil, ainda na fase testes, no segundo semestre deste ano, através da startup Bora.  

“Nesse novo modal, o passageiro compra a passagem através do aplicativo, vai até um ponto específico indicado pelo app e pode ir confortavelmente até seu trabalho, escola ou faculdade, com wi-fi e ar condicionado. É um transporte que se encaixa entre o táxi e o transporte público”, destacou o engenheiro Marcos Paulo Schlickmann.

 

Papel das empresas

O que vemos em comum nessas inovações é que elas tem se valido de informação, através de aplicativos e tecnologias, para oferecem soluções de mobilidade. “Por elas trabalharem com dados, acredito que estão sendo capazes de vencer algumas barreiras. Pois, se por um lado há um mercado favorável, principalmente entre os jovens que estão abertos a dividir e compartilhar, ainda temos um setor mais engessado e tradicional, que valoriza muito automóvel”, revelou Brenda Medeiros, gerente de mobilidade urbana da WRI Brasil Cidades Sustentáveis.

Uma das boas notícias revelada por Brenda é que muitas empresas estão abrindo os olhos para o seu papel de reduzir as externalidades da mobilidade. A mobilidade urbana é responsável por 70% das emissões de gases do efeito estufa nas cidades e o trânsito do país mata cerca de 50 mil pessoas por ano.  

Quando olhamos para como as pessoas se deslocam e o porquê elas se deslocam, vemos que em 50% dos casos é por motivo de trabalho. Dessa forma, as organizações públicas e privadas têm um papel fundamental para reduzir essas externalidades. Entender como o  funcionário se desloca e como elas podem contribuir para fazer desse deslocamento mais sustentável não é só uma ajuda, mas o papel social das empresas de transformar e construir um mundo melhor”, destacou.

 

Você vivencia o compartilhamento no seu dia a dia?

 

Por: Karina Constancio, Coordenadora de Conteúdo da WTM, para PARAR Review. 

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