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05/05/2020

O aumento da quantidade de veículos circulando nas cidades tem demandado soluções de mobilidade urbana para manutenção da qualidade do ar e saúde da população. No Brasil, já são 65,8 milhões de veículos – sendo mais de 41 milhões de automóveis, é o que indica levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). Outro estudo, dessa vez do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), revelou que mais de 70% da poluição do ar nas grandes cidades é causada pelo setor de transportes. São esses dados que fazem as empresas repensarem a sustentabilidade nas frotas.

De olho nesta realidade, as empresas do setor, que querem se manter relevantes no mercado, estão adotando medidas para manter uma frota mais sustentável. Ainda mais sabendo que, nos dias de hoje, 84% das pessoas estão mais propensas a comprar produtos e serviços de empresas que desenvolvam projetos sociais e respeitem o meio ambiente, de acordo com pesquisa da UOL, divulgada neste ano.

“Consumir de forma consciente passa pelos aspectos de reflexão sobre a necessidade de uso e sobre a idoneidade do produto ou serviço. Estes aspectos têm pesado cada vez mais na decisão de compra, sobretudo das novas gerações. Empresas ambiental e socialmente responsáveis têm saído na frente”, afirma Silvia Barcik, diretora de mobilidade sustentável do Instituto Renault.

De acordo com Barcik, uma frota sustentável remete, especialmente, a veículos com baixa emissão de poluentes, visto que carros, ônibus, motos e caminhões não sustentáveis são responsáveis por emitir gases como o monóxido de carbono (CO), óxido de nitrogênio (NOx) e hidrocarbonetos (HC) na atmosfera.

Neste sentido, já em 1986 o Ministério do Meio Ambiente lançou o Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), como uma forma de controle do ar nos centros urbanos. O objetivo é diminuir gradativamente a emissão de gases poluentes, a partir do controle dos lançamentos de veículos, que devem atender aos limites de emissão permitidos pelo programa. 

O que as frotas podem fazer para serem sustentáveis

Para além do que a legislação determina, a Renault já conta com uma linha de veículos 100% elétricos e com zero emissão de poluentes. “Em 2008, a Renault lançou uma gama de veículos 100% elétricos e foi a pioneira nisso. Hoje, somos líderes de vendas na Europa e no Brasil. Nossos modelos, portanto, respondem a essa preocupação legítima dos gestores de frota que buscam diminuir seu impacto ambiental”, ressalta a diretora. 

A Atlas Copco, empresa especializada no comércio de bombas e compressores, também preza pela sustentabilidade nas frotas. “Nos empenhamos em sempre buscar a melhoria contínua e conduzir os negócios de forma que o meio ambiente seja preservado para as gerações futuras”, destaca Vânia Vilela, coordenadora de serviços administrativos da Atlas Copco

Entre as políticas adotadas pela empresa estão: troca de veículos a cada quatro anos ou quando atingem 120 mil quilômetros rodados; 85% dos abastecimentos com etanol; manutenção preventiva; telemetria, para manter a velocidade da frota sob controle; aquisição de veículos flex, além de monitoramento do mercado de híbridos e elétricos para investimentos futuros. 

Para Vilela, o fato da sustentabilidade ser pauta em discussões na indústria automobilística já representa um avanço na área. “Hoje, podemos ver um compartilhamento de mobilidade com os aplicativos, incentivo ao uso de bicicletas e semelhantes, que demonstram que estamos olhando para um futuro onde poderemos respirar um ar mais limpo”. 

No entanto, segundo a coordenadora, o Brasil ainda tem muitos desafios para alcançar uma frota 100% sustentável. ”Temos números alarmantes de aumento de emissão de CO2, menos de 1% da frota brasileira é composta por carros elétricos, uma infraestrutura irregular e falta de planejamento urbano, que ao meu ver é uma das principais entraves para alcançarmos uma descarbonização”, enumera Vilela. 

“A saída para a evolução é colocar o Brasil mais próximo das tecnologias de ponta, dar incentivos para acelerar a adoção dos veículos elétricos e híbridos, se preparar com infraestrutura, principalmente nas rodovias, termos mais eletrovias e eletropostos, frotas mais atualizadas e campanhas de conscientização”, finaliza.

Por: Beatriz Pozzobon para a PARAR Review

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