Conteúdo

24/03/2020

Estamos falando muito sobre segurança atualmente, e por falar nisso, você sabe se o seu veículo é seguro? O Programa de Avaliação de Carros Novos para América Latina e o Caribe (Latin NCAP) e o Rota 2030 avaliam e definem regras para a fabricação de automóveis, respectivamente, fomentando o aspecto técnico da cultura de segurança.

No entanto, por motivos culturais ou econômicos, muitas vezes equipamentos de segurança são preteridos em detrimento de itens cosméticos ou tecnológicos. Mas será que carros mais seguros custam mais? E os carros brasileiros, são seguros?

De acordo com Alejandro Furas, Secretário Geral do Latin NCAP, itens tecnológicos não aumentam o preço do veículo. Mesmo que alguns fabricantes queiram lucrar com a segurança, os carros não serão mais caros porque são mais seguros, já que o avanço tecnológico traz inovações para outros âmbitos, proporcionando a otimização das linhas de produção e a redução de custos.

Dessa forma, considerando a economia de escala, à medida que a demanda por um determinado item de segurança aumenta e os preços unitários de produção se tornam mais estáveis, o preço final cai. Há também o fator da concorrência na regulação dos preços, uma vez que um fabricante que aumentar os preços por conta de um item obrigatório poderá perder vendas.

Os itens obrigatórios que interferem no valor de um veículo podem ser determinados pela legislação ou pelo mercado. Segundo Furas, a lei no Brasil exige Airbags duplos, mas não exige o Controle Eletrônico de Estabilidade (ESC, em inglês).

Contudo, mesmo que não seja exigido por lei, os carros compactos estão incorporando o ESC padrão. “Isso acontece porque o mercado o estabelece por si só, o consumidor não compra carros sem esses elementos, mesmo que a lei não exija. O valor da segurança não deve ser questionado quando estamos falando de vidas que podem ser salvas. Os elementos de segurança são uma vacina para prevenir a pandemia de acidentes de trânsito, que é a principal causa de morte em jovens de até 29 anos em nossa região – segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os acidentes rodoviários são a principal causa de morte entre pessoas com idade entre 15 e 29 anos”, afirma Furas.

“A obrigatoriedade do Airbag e do ABS não fez com que os preços dos veículos subissem absurdamente”, afirma Alessandro Rubio, engenheiro da Comissão Técnica de Segurança Veicular da SAE Brasil (Sociedade de Engenheiros da Mobilidade), quem acredita que o avanço tecnológico na evolução dos equipamentos pode fazer os preços aumentarem seja em relação a itens de segurança ou a itens cosméticos.

Todavia, os preços diminuem quando há o surgimento de novos equipamentos de segurança que geram uma alta demanda e são implementados rapidamente em larga escala. “Quando a procura é maior, a produção é maior, e naturalmente o preço reduz. Assim, se tivermos uma legislação ou uma demanda do consumidor, os equipamentos podem não ficar tão caros até mesmo para os veículos de entrada”, explica Rubio, ao apontar que a questão do preço é relativa e sua percepção tem a ver com a cultura de segurança do Brasil ou a falta dela. “Hoje, por exemplo, uma pintura perolizada pode custar  até 2 mil reais, e é só a cor do carro que vai ser diferente. Mas se a pessoa pretende colocar algum equipamento de segurança que tenha igual valor, o mesmo é considerado caro porque é mais difícil visualizar a importância”, explica Rubio.

Um veículo precisa ser seguro

De acordo com a Bright Consulting, enquanto 100% dos veículos vendidos nos Estados Unidos possuem o Controle Eletrônico de Estabilidade (ESC, em inglês) e a câmera de ré, apenas 40% e 35% dos veículos comercializados no Brasil dispõe das mesmas funcionalidades, respectivamente. Por aqui, somente 2% dos carros novos emplacados têm detector de fadiga, assistente de manutenção de faixa e frenagem de emergência (AEB, em inglês), já na Europa, mais de 50% da frota possui os itens, com a expectativa de chegar a 100% em 2021. O longo caminho que o Brasil tem para percorrer em busca do aprimoramento da segurança de seus veículos conta com o suporte técnico e o incentivo do Programa de Avaliação de Carros Novos para América Latina e o Caribe (Latin NCAP) e do Rota 2030.

O Latin NCAP é uma entidade independente que submete os carros vendidos na América Latina e Caribe a uma bateria de testes para classificar o nível de segurança dos veículos novos, com base na avaliação da proteção dos ocupantes adultos (segurança passiva ou secundária), dos ocupantes infantis (segurança passiva ou secundária) e da segurança ativa ou primária que oferece o modelo, outorgando estrelas entre 0 e 5 para o ocupante adulto e infantil. Já o Rota 2030 é um programa governamental que instituiu regras para a fabricação de automóveis produzidos e comercializados no Brasil nos próximos 15 anos, estabelecendo novas metas de eficiência energética, quais itens de segurança se tornarão obrigatórios nos próximos anos e quais novas tecnologias serão desenvolvidas obrigatoriamente.

Para Furas, ambas propostas buscam melhorar a segurança dos carros vendidos no mercado brasileiro, sendo que a avaliação da Latin NCAP tem um efeito mais imediato no mercado. “Finalmente houve a combinação certa entre regulamentação governamental e a demanda do Latin NCAP. O mesmo acontece na Europa, onde o mercado foi alterado principalmente pelo Euro NCAP. Com esse sistema combinado, as marcas são incentivadas a fazer alterações voluntariamente e a obter boas notas nos testes do Latin NCAP, antes do prazo do Rota 2030, agilizando o mercado”, afirma. Rubio explica que o Rota 2030 promove o setor automotivo de maneira abrangente e, consequentemente, a segurança. Para o engenheiro, a importância do Latin NCAP está em “disponibilizar a informação para o consumidor, para que o mesmo faça sua escolha. Com acesso a essas informações, o consumidor começa a procurar produtos com maior qualidade, escolhendo o produto que mais lhe convém”, finaliza.

As normas do Latin NCAP são atualizadas a cada quatro anos. O novo protocolo entra em vigor em dezembro de 2019 e fica válido até 2023. A inclusão do teste do alce e o fim da divisão entre adultos e crianças para concessão das estrelas, de 0 a 5, são duas mudanças fundamentais. Um sistema de porcentagem para indicar os resultados de cada categoria – adulto, crianças, proteção para pedestres e assistentes de condução –  será criado.

Segundo Furas, a grande mudança é a unificação de estrelas adultas e infantis, pois há marcas com ótimas pontuações no teste para adultos, mas com resultados inferiores nos testes para crianças, fator que fragiliza os efeitos da classificação. “Com o novo protocolo, existe apenas um conjunto de estrelas que inclui adultos, crianças, pedestres e tecnologias de assistência à direção. Para alcançar as cinco estrelas será preciso ser bom em todos os aspectos”, conclui.

Comentários

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *