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11/05/2020

Você andaria em um carro sem motorista? Os veículos autônomos já são realidade para montadoras e empresas de tecnologia ao redor do mundo, mas quais são as vantagens e desvantagens do modal? Os carros que dirigem sozinhos dividem a opinião de especialistas em ralação à implantação, adaptação e segurança. Nesse post vamos falar sobre o carro autônomo e o futuro das frotas.

Em um relatório da consultoria KPMG, o Brasil aparece em último lugar entre 25 países na pesquisa “Índice de Prontidão para o uso de veículos autônomos 2019”. Em 2018, o país estava na 17ª colocação no ranking, mas em um ano perdeu oito posições. O resultado se deve à falta de políticas de incentivo, a fim de proporcionar competitividade aos fabricantes e, logo, instigar o consumidor a adquirir o produto. 

Alguns pontos importantes analisados pela pesquisa da KPMG são: as regulações para veículos autônomos; a parceria entre a indústria com centros de pesquisa; o quanto os países estão prontos para realizarem mudanças; a infraestrutura – qualidade das estradas e internet; e a eficiência nos processos de alteração das leis. Ao lado do Brasil, os países com as notas mais baixas foram Índia, Rússia e México. Já as melhores posições foram ocupadas por Holanda, Singapura e Noruega.

A segurança é tida como um fator preponderante para a aceitação dos veículos autônomos pela sociedade. Reduzir o número de acidentes é um motivo crucial para os mais entusiastas, os quais muitas vezes traçam paralelos com a aviação, já que é possível extrair dela o rigor no cuidado com a tecnologia e os protocolos de segurança. 

O Brasil está pronto para o carro autônomo?

Para Cesar Urnhani, piloto e apresentador do AutoEsporte (Rede Globo), carros autônomos e aviões são meios de locomoção diferentes. Além da tecnologia, o avião possui um piloto, um copiloto e uma equipe de tripulantes. O avião, por mais tecnológico, precisa passar por checklists e protocolos de segurança. “Não é o que acontece em um ônibus ou em num caminhão, que são veículos grandes, e muito menos em um automóvel”, comenta e relembra o crosscheck que um piloto precisa fazer. “Toda aquela tecnologia é completamente dependente do homem. O cuidado que se precisa ter para que não se cometa erro é impressionante”, diz. 

Edson Kitani, mentor de tecnologia da SAE e professor da Fatec Santo André, estuda, desde 2015, propostas e tecnologias voltadas para veículos autônomos com o objetivo de melhorar a mobilidade no país. Para ele, a segurança foi o grande motivador do interesse dos governos e das empresas privadas que os fizessem investir no desenvolvimento dessa plataforma. “Mais de 90% dos acidentes, inclusive com vítimas, no mundo inteiro, são ocasionados por falha humana e não falha técnica ou de equipamento”, afirma. Em diálogo com o professor, a segurança é citada por Cesar Urnhani como o motivo principal para a possível existência de uma frota autônoma concreta nas ruas. “Não é o conforto, nem a comodidade, mas a segurança”, diz.

Atualmente nas grandes cidades, os veículos ficam muito tempo parados ou presos no trânsito, com baixas taxas de ocupação dos assentos. Pensando em um contexto de frota autônoma compartilhada, a redução da necessidade de propriedade sobre um veículo e um melhor planejamento do trajeto são vantagens elencadas por Edson Kitani. Já para Cesar Urnhani, em relação à mobilidade, a utilização de veículos autônomos não significa menos carros nas ruas. “Para sair do ponto A e ir até o ponto B sem dirigir, você não precisa de um automóvel”, afirma, ao relembrar sobre os aplicativos de mobilidade e do transporte público.

Cesar Urnhani defende que os veículos semi-autônomos estão mais próximos da realidade por conta do Park Assist, sistemas de aceleração involuntária e sensores. Para ele, o brasileiro não é receptivo a adotar itens de segurança, os quais geralmente são preteridos no momento de adquirir um veículo. “O controle de estabilidade é o segundo item que mais salva vidas no mundo. Só perde para o cinto de segurança e vai começar a figurar no brasil em 2022. O brasileiro é um povo muito mal-educado para as questões de segurança”, diz. 

Para uma tecnologia que é um fato, as iniciativas públicas e privadas já discutem os impactos da chegada dos veículos inteligentes ao Brasil – no campo, caminhões autônomos são uma realidade. Sobre uma legislação para o modal, Edson Kitani explica que ainda há muito o que de discutir e “não podemos esperar que a tecnologia chegue para depois começar a discutir legislação”.

Mundialmente, espera-se que até 2025 os veículos autônomos tenham condições jurídicas e culturais para estarem presentes em grandes cidades. “Para o cenário brasileiro, a gente ainda vai levar um certo tempo. Não é uma questão apenas de legislação e de vias preparadas, é uma questão de cultura. Nos locais onde os veículos autônomos estão em teste existe uma cultura de obediência a certas normas de trânsito que é bem rígida. Nós temos que preparar a sociedade para aceitar seguir regras. Porque o veículo autônomo essencialmente vai trabalhar em cima de regras”, pondera Kitani.

Por: Guilherme Popolin para a PARAR Review

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