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21/08/2019

De acordo com a pesquisa Presença Feminina no Setor Automotivo, elaborada pela Automotive Business, em 2019, somente 17% do quadro de funcionários é composto por mulheres no setor automotivo. Quando se trata da liderança das organizações, a participação é ainda mais baixa; apenas 6% das mulheres ocupam cargos de alta gestão nessas empresas. 

Para Paula Braga, diretora executiva da Automotive Business, uma plataforma de conteúdo sobre o setor automotivo, os números discrepantes revelam que ainda há uma série de desafios a serem superados. O primeiro deles é a necessidade de difundir entre as lideranças das empresas automotivas a importância de garantir diversidade nas organizações. “O que, comprovadamente, aumenta a lucratividade e o potencial de inovação”, destaca.

Segundo a diretora, a indústria automotiva está ainda mais sujeita a uma série de preconceitos enraizados, como o fato de, inconscientemente, ou não, os gestores optarem pela contratação ou promoção de homens. “As mulheres que entram no setor automotivo acabam tendo uma carreira menos duradoura, possivelmente pela falta de oportunidade de ascensão profissional”, avalia Paula. 

Ela diz também que a pesquisa identificou diferenças salarias na indústria automotiva motivadas pelo gênero – as mulheres chegam a ganhar 34% menos que os homens exercendo a mesma função. 

A chefe do setor de transporte do Detran/PR, Regiane Aparecida Santos Pinto, conta que no início do trabalho na chefia precisou ouvir comentários do tipo “mulher não entende nada de carro” e “mulher não entende nada de mecânica”. 

“Nunca deixei que isso me impedisse de exercer a função que eu fui aprovada. O que eu não sabia, procurei aprender e fui buscar mais conhecimentos”, pontua. “Nós mulheres podemos realizar qualquer atividade, pois somos capazes e podemos chegar onde quisermos por méritos próprios, dedicação e competência”, finaliza a chefe de setor de transporte do Detran/PR. 

Mulheres no setor automotivo

Ela é administradora e designer, tem 22 anos de experiência na indústria automotiva e é especialista em mobilidade urbana para a América Latina. Atualmente diretora de mobilidade sustentável do Instituto Renault, Silvia Barcik liderou a chegada do primeiro veículo 100% elétrico da Renault ao Brasil. 

Apesar de colecionar conquistas, Silvia afirma que trabalhar numa montadora é um desafio diário para uma mulher, principalmente para demonstrar conhecimento, competência e trazer a visão feminina para o negócio. 

“Uma mulher dentro de uma montadora, sobretudo à frente de uma área ligada a mobilidade tem muito a contribuir, pois, na maioria das vezes, temos uma relação diferente com o carro”, defende a diretora. 

“Para muitas de nós, o carro é uma solução de mobilidade – segura e confortável – para resolver nossos problemas. Uma relação mais funcional. Com os enormes desafios das cidades, esta visão contribui e muito para pensar fora da caixa e propor soluções disruptivas que melhorem a forma como nos movemos”, completa. 

Mulher no volante, sucesso constante

Helena Deyama tem 1,54m, 47 quilos e uma paixão gigante pelo automobilismo. Contrariando todos os estereótipos, comprou uma moto, depois um jipe e se tornou pilota profissional de rally. Logo na primeira competição, conquistou o primeiro lugar do pódio, vencendo uma maioria predominantemente masculina. 

“Compenso a menor força física em relação aos homens com maior determinação, disciplina, técnica, estratégia e concentração”, define a pilota. “Saber competir sem destruir o equipamento, usando a cabeça e o conhecimento adquirido com a experiência têm se mostrado estratégias de sucesso”, acrescenta.

E tem mesmo. Em 2005, Helena se tornou a primeira mulher a vencer um campeonato brasileiro de rally. Conquistou o Campeonato Brasileiro de Rally Baja, em 2014, e dois anos depois, o bicampeonato. A pilota já participou de 15 edições do Rally dos Sertões, a principal competição do esporte no Brasil e realizou diversas expedições de até 10 mil quilômetros por toda a América do Sul, em grupos, ou na melhor companhia, a do seu jipe, que tanto batalhou para comprá-lo. 

Por: Beatriz Pozzobon, jornalista, para a PARAR Review

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