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01/04/2018

A análise por indicadores é uma poderosa ferramenta de tomada de decisão nas operações relacionadas à frota. Esse formato de gestão é praticado pela maioria das empresas que possuem uma administração eficiente e é uma poderosa ferramenta de avaliação de risco, pois permite que o gestor de frotas faça uma leitura antecipada e evite prováveis riscos iminentes.

Para ilustrar o potencial dos indicadores no mundo da frota, basta observar as questões relacionadas à segurança para concluir como a análise preditiva afeta positivamente a operação. Excesso de velocidade é uma das principais de morte no trânsito, de acordo com dados do DPVAT. Embora essa informação não seja uma grande surpresa, o fato mais alarmante é de que, de acordo com a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), 97% dos acidentes são causados por negligência ao volante.

Como a natureza do negócio de quem trabalha com equipe de campo gira em torno dos colaboradores que estão na estrada, as frotas são impactadas significativamente por estas estatísticas. Práticas de condução inseguras, como falar ao celular, enviar mensagens de texto ou voz, dirigir com sono ou sob efeito do álcool, são atitudes que contribuem para as estatísticas negativas, mas que podem ser evitadas quando há uma gestão por indicadores bem definida por parte da companhia.

 

Gestão segura na prática

Há 60 anos no mercado, a Ferramentas Gerais (FG) é hoje líder nacional em suprimentos destinados à manutenção, reparo e operação (MRO), com 200 veículos na frota, compartilhados entre 250 condutores.

O departamento de frotas é comandado por Daniel Nunes, supervisor de infraestrutura da FG, que sempre compreendeu a dimensão da responsabilidade como gestor de frotas e lutou na companhia para ganhar espaço e mostrar a importância do departamento para empresa.

“Sempre acreditei na gestão de frotas por indicadores por meio da telemetria. Quando há um acompanhamento efetivo, os resultados são garantidos. Com isso em mente, desenvolvi um trabalho com toda companhia mostrando que a frota é uma ótima oportunidade de cuidar de vidas e gerar lucro”, explica Nunes.

Um dos maiores desafios da FG foi engajar outras áreas da empresa no processo de implantação da tecnologia e construção da nova política de frotas. Segundo Nunes, “o envolvimento das áreas Operacionais, Jurídica, Gestão de Pessoas, Financeira e de Segurança do Trabalho, foram fundamentais para o sucesso do projeto”.

A exemplo da FG, é possível perceber que esse envolvimento faz com que os demais departamentos exerçam uma certa pressão nos gestores de frotas para controlar os acidentes, muitas vezes motivados pelo alto custo envolvido e pela exposição negativa da empresa.

Embora a gestão por indicadores represente uma grande oportunidade na redução dos custos com a frota, o mais importante é que ela se torna uma ferramenta essencial para evitar tragédias e salvar vidas.

“Como gestor de frotas, você tem a responsabilidade de garantir a segurança de seus condutores, tem a capacidade de não apenas monitorar os comportamentos de risco, mas também de melhorá-los ao longo do tempo”, explica Nunes.

 

“Se você não pode medir, você não pode gerenciar” (Peter Drucker)

Trabalhar com indicadores não é tarefa fácil, mas quando o gestor descobre o caminho para embasar toda a gestão de frotas da empresa em números, sua atuação dá um salto extraordinário rumo à profissionalização do departamento.

Nesse sentido, a telemetria é a ferramenta ideal para apoiar o gestor estratégico. É ela que vai gerar as informações precisas para tomada de decisões. Armados com informações sobre o comportamento atrás do volante por meio da telemetria, as empresas conseguem identificar comportamentos de risco e colocar os condutores em programas de treinamento antes que os acidentes ocorram.

“Contamos com o sistema de telemetria da GolSat e um sistema de gestão do abastecimento e manutenção para concentrar todas as informações necessárias. Nossos esforços se concentram principalmente em parametrizar os sistemas para nos auxiliar na análise dos dados e nos possibilitar a tomada de decisão a partir dos indicadores gerados”, detalha Nunes.

Mensalmente, a FG envia para as lideranças um gráfico com um panorama geral da frota que inclui: média de consumo (Km/L), Custo com manutenção (R$/Km), excessos de velocidade, unidades com pior desempenho e condutores com pior desempenho. De acordo com Nunes, “para veículos que apresentam os piores resultados, desenvolvemos junto com a liderança um plano de ação para a melhoria desses números”.

Analisar a frota através de indicadores contribui para que as empresas sejam mais disruptivas. Elas podem criar programas de comunicação que valorizem os melhores condutores diante a equipe e o boar da companhia. O compartilhamento de informações e formas de incentivo fazem com que os condutores promovam diálogos construtivos sobre o assunto, além de manter a segurança sempre em pauta.

 

Lidando com objeções

Escolher gerir a frota a partir de indicadores é uma atitude inteligente e transformadora, mas não é algo que vai mudar a realidade dos departamentos de frota do dia para noite. É um compromisso com a vida do colaborador e com a produtividade da companhia, que vai certamente enfrentar algumas barreiras.

Quando a FG iniciou as mudanças relacionadas a frota, a primeira preocupação foi a de enviar um comunicado interno para todos os colaboradores destacando a preocupação da companhia em tornar a operação mais segura e eficiente. “A implantação foi gradativa e por regionais, isso nos ajudou a fazer as mudanças sem impactar na produtividade”, explica Nunes.

Gestores bem sucedidos são aqueles que conseguem envolver todos os departamentos da companhia desde a fase inicial do projeto. Alcançar esse alinhamento e fazer com que esse compromisso seja partilhado por todos é essencial pro sucesso da gestão por indicadores através da telemetria.

“Como as ações foram comunicadas antes da implantação e deixando claro os seus objetivos, o nível de aceitação foi maior. Observamos que nos casos que tivemos dificuldade de implantar ou, rejeição por parte dos condutores, faltou comunicar e treinar melhor os envolvidos antes da implantação”, conclui ele.

 

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Por: Loraine Santos, coordenadora de conteúdo do Instituto PARAR, para PARAR Review. 

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