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27/01/2020

“Segurança não deve ser prioridade. Prioridade muda. Segurança deve ser um valor”. Gestão de frotas: a importância de salvar vidas. É provável que todo gestor de frotas já tenha ouvido essa frase e, talvez, não tenham lhes ocorrido a real importância dela. Não foi o caso de André Matoso, gerente administrativo corporativo da Invepar, um dos maiores grupos de infraestrutura do País que administra 11 concessionárias nos segmentos de rodovias, aeroportos e mobilidade urbana.

A frente da gestão de mais de 600 veículos, Matoso tem transformado diariamente a realidade da Invepar por meio de iniciativas que já impactaram diretamente cerca de 1200 condutores que atuam na companhia.

Ou seja: ao considerar a segurança como um forte valor corporativo, as iniciativas a favor da vida já reduziram drasticamente o número de acidentes e tem como meta o índice zero de infrações de trânsito cometidas pelo seu time de condutores.

O sucesso de uma gestão organizada e pautada em resultados rendeu a Invepar a primeira colocação no ranking 100 Best Fleets, o prêmio que reconhece as empresas frotistas que mais se destacaram na gestão embasada na cultura de segurança, política de frotas e gestão sustentável. Entre mais de 60 projetos inscritos e avaliados pelo Instituto PARAR e pela equipe americana do 100 Best Fleets, a Invepar conquistou o topo da lista das 20 empresas reconhecidas no prêmio.

A importância de salvar vidas

Tanto reconhecimento não é por acaso. A busca por um departamento organizado e por uma gestão que fosse ao mesmo tempo segura para os condutores e produtiva para empresa começou em 2017, quando Matoso decidiu que era o momento de inovar.

“Ao ganhar uma concessão que englobava uma rodovia  muito maior do que as que tínhamos, percebemos que era o momento de inovar e desenhar uma gestão do zero. Nossos veículos são plotados com a marca da Invepar e, na época, fomos surpreendidos com um relatório da Polícia Rodoviária Federal com várias fotos de carros nossos em excesso de velocidade. Tinha chegado a hora de mudar. Criamos, então o Centro De Gestão de Frotas, com uma equipe própria de gestão da frota responsável por toda estratégia e operação envolvendo os veículos e condutores. Estudamos os players do mercado, implantamos telemetria, criamos nossa política de frotas e passamos a frequentar os eventos e cursos do Instituto PARAR. Até mesmo a escolha de nossos carros passaram a ser baseada nas avaliações da Latin NCAP. Tudo isso ganhou uma força muito grande e os resultados apareceram de forma muito rápida”, conta ele.

 Hoje, a Invepar mantém em sua estrutura organizacional um Centro De Gestão de Frotas composta por uma equipe de 23 colaboradores dedicados a regulamentar, monitorar e melhorar constantemente a utilização e a performance de todos os seus veículos, máquinas, equipamentos e condutores, em uma operação 24h por dia, 7 dias por semana.

Para suportar esta gestão complexa, a empresa apoia todas as ações em documentos de qualidade, entre política de frotas, política de concessão de veículos para executivos, e diversos procedimentos, que vão desde orientações de uso dos ativos até termos de responsabilidade dos condutores e de não conformidades praticadas no trânsito. 

Gestão de frotas e zero acidentes de trânsito

Toda a organização e fiscalização que regem a gestão de frotas da Invepar tem um propósito bem definido por trás – e isso, garante Matoso, é a razão do sucesso do projeto. A companhia quer zerar o número de infrações de trânsito relacionadas a segurança, principalmente as de excesso de velocidade e de utilização do celular durante a condução do veículo.

Na prática, “a nossa política de frotas classifica como gravíssima a infração do uso do celular ao volante e a consequência é de suspensão por 60 dias do direito de dirigir para aqueles que não possuem nenhuma infração de trânsito em seu prontuário, e 1 ano de suspensão do direito de dirigir para o condutor que já possuir qualquer outra infração, mesmo que de gravidade leve”, explica ele. 

Política de frotas da Invepar classifica como gravíssima a infração do uso do celular ao volante

Desde a implantação da regra, em 2017, até o momento que essa reportagem está sendo escrita, a empresa registrou apenas uma infração de uso do celular ao volante. Motivo de orgulho e comemoração, uma vez que o cenário nacional é catastrófico. Segundo dados do Registro Nacional de Infrações de Trânsito (Renainf), mantido pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), o número de multas no Brasil aplicadas a quem usa o celular enquanto dirige aumentou 33% de 2017 para 2018.

Excesso de velocidade também é um indicador levado à sério pela Invepar. “Já tivemos 5 colaboradores desligados da empresa por esta infração. Em maio de 2017, na primeira medição feita de forma consolidada no grupo, identificamos pela telemetria 3624 excessos de velocidade em 1.700.000 quilômetros rodados, alguns deles acima de 160 km/h. Após a implantação da Política de Frotas em todas as empresas e aplicação dos treinamentos aos condutores, desde novembro de 2017 este indicador está abaixo dos 100 excessos de velocidade/mês sendo que recentemente alcançamos a marca recorde de 28 excessos nos mesmos 1.700.000 quilômetros rodados, e redução de 40% de sinistros com a frota”, comemora Matoso.

Salvar vidas

Para 2019, os projetos para Invepar são ousados, mas ao mesmo tempo conectados com o futuro que a mobilidade está reservando para o setor. Aplicativos de carona, novos modais, questionamentos sobre a real necessidade do ir e vir, são alguns conceitos que rondam a gestão de frotas de companhia e, segundo Matoso, se tornaram prioridade em 2019. “Estamos conectados com o futuro do setor. Já implantamos a política de compartilhamento para veículos que ficam parado no pátio da empresa. A próxima etapa do projeto é estender isso para veículos que estão rodando, criando um sistema organizado de carona, com objetivo de otimizar os deslocamentos e aumentar a taxa de ocupação dos carros”, conclui o gestor.

Por: Loraine Santos, jornalista para a PARAR Review

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