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09/06/2018

“Motorista dorme ao volante, perde o controle da direção e carro capota”. A manchete trágica é, infelizmente, bastante comum nos noticiários brasileiros. Basta uma rápida busca no Google com as palavras “dorme” e “volante” para nos depararmos com milhares de notícias de acidentes que repetem praticamente a mesma história: motoristas que sentiram sono ao volante e, ao invés de parar para descansar, acharam que poderiam enfrentar o percurso. Uma escolha perigosa, mas corriqueira para grande parte dos condutores.

De acordo com artigo publicado pelo Dr. Dirceu Rodrigues Alves, Diretor de Comunicação e do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da ABRAMET (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego), 42% dos acidentes são causados pelo sono e 18% pela fadiga.

A sensação de cansaço, segundo ele, compromete a atenção, a concentração, o raciocínio e a percepção, o que caracteriza uma condição insegura para dirigir. “Além disso, a resposta motora vai ser tardia e a sensibilidade tátil, da visão e da audição também ficam comprometidas. A fadiga, o sono e o cansaço levam ao acidente. Eles representam um perigo para a segurança veicular e os motoristas, percebendo um desses fatores, devem parar de dirigir e buscar uma forma de descansar e dormir”, explicou.

Quando o motorista se esforça para dirigir mesmo demonstrando algum desses sinais, ele fica mais suscetível a ter micro cochilos, adormecimentos que podem durar de uma fração de segundo até 3 a 14 segundos. “Ao dirigir, o motorista faz movimentos repetitivos com braços, pernas, coluna vertebral, ele movimenta o corpo todo apesar de estar sentado.

Esses movimentos levam à fadiga física, mental e ocular, que levarão o indivíduo ao torpor e do torpor à sonolência. É aí que ele fica suscetível a ter micro cochilos e micro cochilos são sinônimos de acidentes graves ou gravíssimos, sem nenhum sinal de frenagem do veículo”, alertou.

Segundo o médico, os micro cochilos são ainda mais comuns em motoristas que dirigem profissionalmente, pois costumam ter jornadas longas, passando de 12h a 14h dentro de um veículo. Ele recomenda que, para uma direção segura, os motoristas tenham apenas 8 horas de atividades e façam pausas a cada 2 horas. “Nessas pausas, os condutores devem sair do veículo, caminhar e fazer o alongamento da musculatura. Isso melhora a oxigenação do corpo, do cérebro e libera endorfina, que atua como um analgésico provocando uma sensação de bem-estar”, destacou. Além das pausas, é importante fazer esses movimentos antes e depois de dirigir.

 

Os perigos de dirigir durante a noite

Outro fator importante e que deve ser evitado é dirigir durante a noite. Dr. Dirceu Rodrigues Alves explica que o nosso organismo libera a cada 12 horas um hormônio chamado melatonina, que é indutor do sono. Esse hormônio é produzido em pouca quantidade durante o dia e aumenta sua produção, normalmente, em torno das 14 horas, quando nós temos uma sonolência, quase sempre pós-alimentar. Já no meio da madrugada, por volta das 2h ou 3h da manhã (12 horas depois), nós temos uma produção ainda em maior quantidade, pois a melatonina é liberada na ausência de luz.

“Se o motorista estiver dirigindo à noite, com pouca luz, seu organismo vai produzir mais melatonina e a probabilidade dele ficar com sono e ter micro cochilos é muito maior. O risco é grande, por isso, nós sempre recomendamos que a atividade veicular seja feita durante o dia e, se feita durante a noite, apenas em situações de emergência, e com o motorista tendo dormido 8 horas imediatamentes antes de pegar o volante”, ressaltou.

Os efeitos da fadiga e da sonolência são tão perigosos que podem ser comparados aos do consumo de álcool. Segundo dados da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), depois de 19 horas de privação de sono há diminuição de desempenho equivalente à observada em indivíduos com teor alcoólico no sangue de 0,70 g/l (aproximadamente igual a seis copos de cerveja ou três de vinho para um homem de 90 kg). “O álcool atua naqueles mesmos fatores que citamos: atenção, concentração, raciocínio e percepção. A diferença é que ele também altera o comportamento do indivíduo”, revelou o médico.

Para Dr. Dirceu Rodrigues Alves, não adianta tomar remédio ou consumir algum produto que iniba a fadiga. “A fisiologia do organismo não vai responder a isso, apenas às drogas, o que vai fazer com que você fique acordado por mais tempo, mas continue com sua atenção, concentração e raciocínio comprometidos”. O motorista, de acordo com ele, vai continuar em uma situação de alto risco.

 

Efeito energético

Ferramentas tecnológicas, que conseguem identificar o nível de cansaço do motorista, bem como medicamentos e produtos a base cafeína, como energéticos, aparecem no mercado como alternativa para evitar que o motorista dirija cansado ou para mantê-lo acordado durante longas jornadas, após uma noite de sono ruim ou de um dia estressante. É nessa perspectiva que o Drive Gum, chiclete a base de cafeína e guaraná, foi pensado. “A fadiga ao volante é um problema bastante preocupante, pois 86% das pessoas que dirigem cansadas não param”, revelou Marco Barbieri, responsável pelo desenvolvimento comercial da solução no Brasil.

Além dos componentes, como a cafeína e o guaraná, o próprio ato de mastigar, de acordo com Barbieri, deixa o motorista mais alerta e, portanto, também o ajuda a se manter acordado. “É também comprovado que o consumo pela boca é o meio mais rápido para que as substâncias sejam absorvidas pelo organismo”. De acordo com ele, a absorção pela mucosa bucal demora cerca de 10 a 15 minutos.

“Nós partimos da realidade de que o motorista deve parar, mas que se ele não parar, com a consciência de que está assumindo um risco, pelo menos ele possa mitigar esse risco com o uso de uma ferramenta que vai mantê-lo mais acordado”, destacou Barbieri. Por isso, a chegada do produto ao Brasil virá acompanhada de uma campanha de educação e conscientização que pretende ser feita em parceria com entidades e empresas do setor automotivo. O Drive Gum já é comercializado em oito países e deve chegar ao mercado brasileiro em breve.

 

Você costuma dirigir a noite? O que faz para evitar a fadiga?

 

Por: Karina Constancio, Coordenadora de Conteúdo da WTM, para PARAR Review. 

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