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02/04/2020

Se você administra os veículos da empresa, vai concordar que a desmobilização da frota é um dos desafios inerentes ao cargo. Trata-se de um momento de renovação, que precisa ser criterioso e exige uma série de detalhes específicos. E como fazê-lo da melhor forma? 

Um dos primeiros questionamentos que vêm à tona é como identificar a hora certa de iniciar o processo. “É importante que as empresas não ultrapassem os 100 mil km, pois isto afeta demais o valor residual dos carros. Se avaliarmos as locadoras, que vivem da venda de carros, veremos que elas não permitem que os clientes utilizem seus carros acima de 120 mil km”. É o que orienta Diogo Ilha, CEO da MotorMarket, empresa que realiza todo o processo de desmobilização de frotas, gestão de documentação, preparação dos carros, armazenagem, vistorias e laudos, precificação dos veículos, venda e transferência.

Sendo assim, a periodicidade da desmobilização da frota varia de acordo com o tipo de operação e quilometragem rodada. “Em operações muito severas é importante que a desmobilização não ultrapasse os 24 meses, ou até 12 meses às vezes. Caso contrário, os carros terão que ser vendidos como sucatas ao final do contrato. Empresas que trabalham com fertilizantes, mineração, segmento de telecomunicação e geração e distribuição de energia são exemplos”, alerta o CEO. 

Na lista das principais dificuldades e riscos envolvidos, a documentação sempre aparece. Isso porque o prazo da entrega de documentos está diretamente relacionado com o preço do carro, e se não for cumprido adequadamente pode afastar o comprador. “Além disso, se o veículo não for devidamente transferido, a empresa pode acabar o processo de desmobilização inscrita no CADIN (Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal)”, alerta Ilha.

Neste contexto, a fim de evitar tais riscos e até mesmo gastos desnecessários, a terceirização do processo de desmobilização tem sido uma alternativa cada vez mais buscada no mercado. Para o CEO da MotorMarket, terceirizar o processo é uma forma de, inclusive, proteger o gestor de qualquer tentativa de fraude, o que é muito comum. “Além disso, as empresas do segmento de desmobilização têm grande estrutura e volume concentrado em seus fornecedores, propiciando grande economia. A Motormarket, por exemplo, hoje possui uma rede de 6 mil oficinas no Brasil que podem ser usadas como pontos de vistorias ou preparação de veículos”, cita.

Os gestores passaram a se voltar para a terceirização, a partir do momento que identificaram que se trata de um trabalho completamente diferente do seu dia a dia. Também ao notar que as fraudes acontecem com facilidade e expõem colaboradores, bem como verificar que dificilmente as vendas ocorrem a nível nacional se não optarem pela terceirização.

Indagado se a fase de mobilizar a frota já contribui com o sucesso do processo futuro de desmobilização, Ilha responde afirmativamente e orienta terceirizar a operação desde o início, escolhendo empresas que realizam o processo como um todo. 

Melhor custo benefício e agilidade na venda

Para facilitar a desmobilização, Daniel Romero, CEO da Manhein, maior empresa de remarketing do mundo e desde 2014 com atuação no Brasil, acrescenta a importância de na fase inicial de mobilização treinar e criar no condutor uma consciência acerca do cuidado com o veículo, além de manter as manutenções em dia, dirigir de forma consciente e evitar multas. “Recomendamos que o gestor da frota faça um treinamento com sua equipe de condutores desde o início”. 

Tais cuidados podem ampliar a vida útil do veículo, impactando na frequência em que há necessidade de realizar o processo de desmobilização. “Os prazos (para desmobilizar) são variáveis de acordo com tipo de frota, seguimento e atuação de empresa. Porém, avaliamos uma série de fatores como manutenção, quilometragem, estado geral do veículo, custo para manter o veículo em operação”, explica Romero.

Sobre a frequência indicada para a desmobilização, ele diz que, apesar de variável, normalmente, a regra para não termos muita depreciação em veículos leves é a troca de três em três anos. Na prática, no entanto, é pouco seguida. “Sempre apontamos para nossos clientes que a renovação da frota pode trazer diversos benefícios para a empresa, como mais economia e melhor desempenho. De qualquer forma, a decisão deve ser tomada de acordo com uma análise detalhada das condições dos veículos e cada empresa pode ter uma política própria e que se adeque mais às suas necessidades”, considera.

Quando a decisão de desmobilizar a frota for tomada, o CEO da Manhein destaca a importância de realizar uma criteriosa avaliação para entender qual canal de venda oferecerá o melhor percentual de recuperação de venda do veículo. 

E se o assunto é a venda do carro, o gestor pode encontrar dificuldades em diferentes aspectos. “Seja por não conhecer o mercado de venda e não contar com uma empresa especializada para compra e avaliação. Além de problemas com documentação de rodagem, CRV, transferência e multas, que podem aparecer depois de até cinco anos. Assim como por não ter um canal de venda específico”, cita.

Por isso, ter um parceiro com abrangência nacional facilita muito a vida do gestor, uma vez que não é necessário entrar em contato e acompanhar o processo de desmobilização de forma individual, e sim centralizada. A Manheim, por exemplo, conta com pátios estrategicamente localizados em todo o país.  

A terceirização do processo, segundo Romero, apresenta grande custo benefício e agilidade para a empresa.  “Uma empresa especializada tem acesso direto a diversos canais de distribuição o que gera agilidade e melhores oportunidades de negociação”, justifica. 

Contratar uma empresa para gerir a desmobilização da frota é o caminho mais simples, na visão dele, também para evitar custos desnecessários com a criação de infraestrutura tecnológica e alocação de colaboradores nessa tarefa. “A terceirização traz ainda economia com custos de manutenção de veículos parados no pátio, por exemplo, além da possibilidade de recuperação mais rápida de parte do investimento inicial”, comenta.

Você está por dentro da desmobilização das frotas? Conta pra gente nos comentários.

Por: Paula Bonini, jornalista para a PARAR Review

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