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08/04/2018

A mobilidade urbana é um dos grandes desafios das cidades e estamos vendo, nos últimos anos, um intenso movimento da iniciativa pública e privada em desenvolver novas soluções para os deslocamentos nos centros urbanos. Em uma cidade como São Paulo, por exemplo, o tempo médio de deslocamento é de 1h44min, ou seja, são mais de três horas por dia dentro de um carro ou, em um ano, 45 dias improdutivos e estressantes.

Ao mesmo tempo, nessas outras 21 horas do dia o carro fica parado em estacionamentos ou garagens, o que corresponde a 320 dias de ociosidade em um ano. Não precisamos de nenhuma conta elaborada para perceber que tem alguma coisa errada nisso. Os modais precisam ser usados de forma mais inteligente e eficiente, trazendo mais segurança e qualidade de vida para a população.

A ideia do compartilhamento, da melhor utilização do espaço público e de uma nova relação com as cidades vêm ganhando espaço nas discussões sobre mobilidade urbana e devem se desdobrar para dentro das empresas. O Instituto PARAR sempre destacou a importância de levar o condutor com segurança para sua família após um dia de trabalho e que isso deveria ser o maior desafio de todas as empresas. A partir de agora, e sem esquecer a questão da segurança, foi lançada uma nova fase, em que o gestor de frota será estimulado a repensar os modais com os quais será possível fazer isso.

De gestor de frota para gestor de mobilidade corporativa. Profissional capaz de entender a maneira com o qual o seu colaborador se desloca e definir qual é o modal mais adequado para determinado tipo de deslocamento. Preparado para olhar não só para os carros, mas para todos os pontos que envolvem a viagem do condutor. Responsável por fornecer opções de como ir de A para B, de como reduzir o custo da mobilidade através de novas rotas, e de como implantar o compartilhamento da frota e outras iniciativas que resultem em soluções econômicas, eficientes, dinâmicas e otimizadas.

 

A reinvenção das cidades

Quando falamos em mobilidade urbana, geralmente, a primeira coisa que vem à cabeça é melhorar a infraestrutura das cidades, porém, esse tipo de mudança estrutural leva muito tempo. O caminho mais eficiente é, mais do que pensar na infraestrutura, mudar a forma como as pessoas pensam a mobilidade. Incentivá-las a deixarem velhos hábitos e passarem a olhar para novas possibilidades e modais de transporte.

Alexandre Lafer Frankel, CEO da Vitacon, leva essa ideia como filosofia de vida. O empreendedor tem como grande motivação romper o status quo. Abandonou o carro há mais de 10 anos e levou essa causa para dentro da sua empresa. A Vitacon é a primeira construtora a implantar soluções de mobilidade e economia compartilhada em todos os seus projetos.

“A minha história se confunde com a da Vitacon. Eu era uma dessas pessoas que ficava essas três horas por dia no carro e era um vida insuportável”, contou Frankel. Depois de deixar o automóvel, escrever três livros sobre como viver em São Paulo sem carro e criar uma comunidade para trocar experiências com pessoas que querem fazer o mesmo, o empreendedor se fez a seguinte pergunta: “Como podemos solucionar o problema de mobilidade em São Paulo através do mercado imobiliário?” E foi aí que nasceu a Vitacon. O grande princípio da construtora é pensar em alternativas para melhorar a vida das pessoas e a relação delas com a cidade.

Além da compactação do espaço e de colocar as pessoas próximas de onde elas querem chegar, seja do trabalho, escola dos filhos ou qualquer outro lugar de interesse, seus empreendimentos trazem serviços de bikesharing, motosharing e carsharing. “Também temos o princípio de colocar o prédio residencial perto do comercial (e vice-versa) e de construí-los próximos ao transporte público. Dessa forma, acredito que a gente transforma a vida das pessoas e cria uma vida muito mais saudável”, explicou.

A utilização e o interesse por esses benefícios passam por uma mudança cultural muito importante. A última pesquisa feita pela Vitacon revelou que 65% dos paulistanos já estão mudando seu estilo de vida e sua relação com o carro. “Nesses novos modais que estamos inserindo nos prédios, vemos uma demanda e um uso crescente. As pessoas estão cada vez mais usando a bicicleta ou indo a pé ao trabalho”, afirmou Frankel. Ele ainda conta que cada prédio possui uma rede de caronas, onde os moradores podem informar para onde vão e compartilhar o deslocamento.

“Outro dado muito interessante é que a nova geração está cada vez menos apegada no ‘possuir’. O carro, que antes estava no top 3 dos desejos dos universitários, já não consta nem entre os 15 primeiros. E isso acontece também com o apartamento ou qualquer outro bem durável. Eles não querem mais ter o bem e sim usá-lo”, destacou Frankel. Esse é o conceito primordial do compartilhamento, pagar pelo uso e não pela posse. Quando se fala em mobilidade, é o mesmo que utilizar os transportes de maneira mais inteligente. E, para que isso aconteça, a tecnologia se revela como uma importante aliada.

A Blablacar, por exemplo, é um aplicativo que une motoristas com um ou dois lugares vagos no carro a passageiros que estão indo para o mesmo destino em viagens de longa distância. “Normalmente, a primeira motivação das pessoas para utilizar a plataforma é econômica, porém, depois, elas percebem que a parte social também é muito interessante. A gente tem a impressão de que essa cultura do compartilhar é nova, mas eu acredito que ela seja muito natural do brasileiro. Nós gostamos de conversar, trocar ideias e dividir espaços com outras pessoas”, disse Daniela Marques, relações públicas da BlaBlacar.

Considerada a maior plataforma de viagens compartilhadas do mundo, a Blablacar soma mais de 2 milhões de viagens compartilhadas por mês, no mundo. O app foi criado na França, mas já tem 25 milhões de adeptos em 22 países. No Brasil desde novembro de 2015, Daniela contou que, mesmo sendo um aplicativo de viagem, muitas pessoas utilizam a Blablacar para ir ao trabalho. “Na região de grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro é comum as pessoas morarem em uma cidade e todos os dias terem que se deslocar para uma cidade vizinha para trabalhar”.

 

E as empresas?

De acordo com a WRI Cidades Sustentáveis, esse trajeto casa-trabalho-casa representa 50% dos deslocamentos no Brasil. Isso revela o quanto as empresas são importantes para reverter esse cenário caótico do trânsito e da mobilidade urbana nas cidades brasileiras. Elas são parte do problema, mas também podem ser parte da solução.

Algumas empresas já se atentaram a isso e estão implementando medidas para ajudar a desenvolver as cidades de forma mais sustentável. Quando o Santander inaugurou, em 2010, a Torre Santander, sede administrativa do banco em São Paulo, foi pensado em como gerar o menor impacto possível na região, na população do entorno e no seus próprios colaboradores. Para isso, eles desenvolveram um Plano de Mobilidade Corporativa, que inclui medidas como Carona Amiga, linhas de fretados gratuitos, vans, bicicletário, horário flexível e espaço de convivência.

Como resultado, eles conseguiram a redução de mais de 2 mil veículos do trânsito da região diariamente, além da diluição do horário de entrada e de saída de outros mais de 1,5 mil veículos para que não transitassem todos no horário de pico. Assim como fez o Santander,  todas as empresas, independente da área de atuação, podem incentivar essa mudança de comportamento e impactar as cidades de maneira positiva.

 

Você já está vivenciando a mobilidade na sua frota? Conta pra gente.

 

Por: Karina Constancio, Coordenadora de Conteúdo da WTM, para PARAR Review. 

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