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30/07/2020

Mobilidade comprometida, abastecimento prejudicado, vida social destruída, contato pessoal interrompido, esporte e trânsito bloqueados: a guerra biológica que há muito sabíamos que iria acontecer.

Desde a década de 80, quando publicamos um artigo intitulado “Globalização da Doenças Infectocontagiosas”, mostrando o curto espaço de tempo para a propagação em todo planeta, falávamos da mobilidade como agente causal dessa atual guerra.                                        

Caminhões, carretas, baús, transportando doenças endêmicas de um lado para outro, comprometendo os grandes centros. Aviões distribuindo de maneira rápida, vetores e portadores hoje do Coronavírus. Esse inimigo transformou a população mundial gerando medo, pânico, isolamento, problema econômico, fome, possibilitando aparecimento de outras doenças oportunistas e ainda impedindo que portadores de doenças crônicas possam mobilizar-se para uma consulta médica ambulatorial ou de emergência. Na emergência não consegue vaga, nas enfermarias idem e tão pouco em UTI porque encontra-se ocupada pelas vítimas da guerra, tudo está direcionado para a COVID-19.

E como vamos resistir a esse ataque covarde que nos surpreendeu, levando vidas, gerando tristeza e sofrimento para todos?

Na realidade, uma guerra biológica em que nenhuma explosão, tiro ou clarão foi visto, o inimigo é invisível. Quando adentramos um hospital encontramos vítimas graves, alguns conseguindo recuperação, muitos indo para UTI porque não conseguem oxigenar o organismo e quantos não estão resistindo vindo a falecer.

Profissionais de saúde na linha de frente virando vítimas. A cada hora mais pessoas chegam aos hospitais, as estatísticas assustam.

Cientistas se apressam para buscar por drogas, vacinas, meio de interceder para enfrentar e destruir o inimigo.

Esse inimigo é forte, está bem equipado e seu principal objetivo estratégico é chegar ao pulmão de sua vítima, impedindo que a hemoglobina capte o oxigênio, levando a vítima a insuficiência respiratória. Reduz a vitalidade dos tecidos e órgãos tornando cada vez mais grave o estado geral da vítima.

Temos que nos cuidar sabendo que o coronavírus se adquire através do contato, as novas atitudes nos levam ao afastamento das pessoas, torna-se necessário priorizar higiene pessoal e com superfícies de contato, uso de máscara, água, sabão e álcool em gel.

Os gestores de tráfego precisam orientar seus condutores com relação a esses cuidados já citados e fornecer EPI e material para higienização pessoal e ambiental. O habitáculo sabemos ser normalmente mal higienizado, por isso precisamos enfatizar a necessidade de manter o ambiente de trabalho organizado e limpo, lembrando que para o interior do veículo levamos nos calçados, roupas, mãos microrganismos os mais diversos, tornando o ambiente insalubre.

Aqueles que usam barba, bigode devem saber que isso está próximo as mucosas nasal e oral e que a todo momento levam a mão com microrganismos nessa barba que com as gotículas que são eliminadas quando se fala, espirra e tosse umedecem o ambiente tornando-o um meio de cultura. Quando colocamos a máscara, equipamento hoje obrigatório, os vapores d’água saídos da cavidade oral e nasal umedecem a máscara, tornando-a ineficiente por isso precisamos trocá-la a cada três horas.

É com os cuidados preventivos que vamos impedir que o inimigo nos derrube ou que sejamos portadores e transmissores do mal que assola o planeta.

›› DR. DIRCEU RODRIGUES ALVES JR.
Diretor da ABRAMET (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego)
www.abramet.org.br
dirceurodrigues@abramet.org.br
dirceu.rodrigues5@terra.com.br

Fonte: 19ª edição da PARAR REVIEW


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