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18/08/2018

Uma das tarefas mais desafiadoras dos empresários é a busca por ascensão e lucro, especialmente em tempos de globalização e oscilações na economia. Neste contexto, em que diversos fatores influenciam no sucesso – ou não – da empresa, a logística, sem dúvidas, tem papel relevante. Além de ter impacto direto nas despesas e lucratividade, é crucial para garantir a satisfação e fidelização de clientes. E a palavra-chave do momento é inovação tecnológica.

Com 18 anos de experiência no ramo, Iltenir Junior, é fundador e diretor executivo da Pront Cargo, empresa especialista em operações personalizadas em logística e transportes multimodais, além de fundador e CEO da Qargo, o UBER das entregas urbanas. Segundo ele, é fundamental trazer para perto toda a evolução e tirar proveito do que ela pode contribuir na melhoria de modo geral.  

Todavia, para vislumbrar avanços, o fluxo de logística precisa ser eficiente como um todo. “O setor exige planejamento do equilíbrio entre oferta e previsão de demanda, seleção e bom relacionamento com fornecedores e parceiros, cuidado na fabricação e armazenagem do produto, excelência na entrega e, se necessário, na devolução” pontua Junior, destacando o papel do atendimento, que é crucial em todas as etapas.

A entrega final, o famoso Last Mile, é uma fase decisiva do processo. “Não adianta nada as fases anteriores serem rápidas e eficazes, se a entrega final ao consumidor é demorada e mal executada, É de extrema importância para a logística, proporcionando uma boa imagem”, ressalta.

E se o assunto é Last Mile, Júnior pode falar com propriedade. A Qargo, uma de suas empresas, apresenta uma logística Last Mile reinventada, sendo uma transportadora com tecnologia no seu DNA. Voltada para e-commerce, marketplace, lojas físicas, entre outros segmentos, tem como foco a excelência na entrega final do produto.

Os consumidores estão cada vez mais exigentes e conectados e a ideia é satisfazer esta demanda. “Oferecemos maior controle e transparência nas informações, com status de entrega em tempo real, com maior rapidez e qualidade. Nosso formato é de tecnologia de ponta e frota virtual, que inclui desde motos até caminhões, através de uma rede colaborativa de entregadores autônomos e rigoroso controle de riscos”.

Se por um lado o setor vai de vento em polpa – com tendência em investimentos até em big data, machine learning e inteligência artificial – do outro, existem entraves a serem superados. Tanto que a Qargo surgiu justamente a partir de dificuldades constatadas por Junior com a Pront Cargo. “Ao oferecer soluções em transportes expressos com a multimodalidade rodoviário e aéreo, identificamos uma série de carências e necessidades. Algumas ligadas à infraestrutura, outras à malha aérea, e também no comércio eletrônico. Tudo isso nos impulsionou revolucionar e fundar o Uber das entregas”.

 

Os desafios do e-commerce

Uma média de 2,5 milhões pedidos por mês. Três centros de distribuição (Barueri-SP, Extrema –MG e Jaboatão-PE), que somam mais de 1000 colaboradores. Em períodos promocionais, são contratados cerca de 700 colaboradores adicionais para atender ao acréscimo da demanda. Esta é a realidade Netshoes, empresa que surgiu em 2000 como loja física em São Paulo e que desde 2007 aposta em uma operação exclusivamente on-line com operações no Brasil e Argentina.

E qual o segredo de uma empresa desta proporção para manter a eficiência e satisfação dos clientes? Quais os desafios específicos do e-commerce? O Diretor de Logística da Netshoes, Marcio Chammas, responde que um dos segredos da empresa é desenvolver processos e estabelecer parcerias. “Hoje, contamos com mais de 20 parceiros logísticos, tecnologias integradas e SLA (acordo por nível de serviços) devidamente estabelecidos”, calcula o diretor.

Para ele, o setor é desafiador, mas há ferramentas que o e-commerce pode utilizar. A empresa implantou recentemente o modelo de marketplace para oferecer uma maior variedade de produtos e otimizar a entrega aos consumidores. “O potencial de capilaridade do marketplace é exponencial e muitas marcas têm utilizado o canal”, diz Chammas, detalhando que a gestão do canal é de autonomia e responsabilidade do seller, que assume atividades primárias, tais como qualidade da informação, qualidade e idoneidade do produto, precificação, distribuição e pós-venda.

Para manter a eficiência, sempre que necessário acontecem adequações do processo logístico entre as marcas da empresa e seus braços fashions, diminuindo o prazo de entrega para o consumidor.

O diretor explica que o produto pode ser entregue através do Netshoes Entregas ou do Compre e Retire. Na primeira opção, a Netshoes fica responsável por todo o processo de entrega dos pedidos de marketplace. “Fazemos toda a gestão do pedido, de ponta a ponta, garantindo a excelência do serviço. O cliente tem a experiência de compra aprimorada, com rastreamento completo do pedido, e com o selo de credibilidade da Netshoes”, destaca Chammas.

No Compre e Retire, os produtos podem ser retirados em uma das mais de 6,7 mil agências dos Correios habilitadas para este serviço por meio de parceria firmada com a empresa.

Porém, como nem tudo são flores, é importante apontar também os desafios para que sejam debatidos. Extravios e furto de cargas são fatores que dificultam o Last Mile da Netshoes, além de situações que fogem do controle operacional, como greves e paralisações. O diretor garante, no entanto, que os maiores entraves são mesmo estruturais. Na visão dele, existe a necessidade de investimentos em infraestrutura, com rodovias pavimentadas, ferrovias, hidrovias, bem como menor burocratização das regras tributárias entre estados e fronteiras.

“Medidas devem ser tomadas, já que as vendas do varejo no e-commerce representam somente 3% no Brasil, enquanto nos EUA e China chegam a 20%. Precisamos nos preparar para esse aumento, caso contrário, ficaremos literalmente para trás”, finaliza em tom de alerta.

 

Drones revolucionam o setor

Não é novidade que o setor está passando por um momento de transformação e modernização, mas o uso de sistemas aéreos não tripulados (UAS), ou drones, no processo de entregas é um fato novo – e interessante. Samuel Salomão é fundador da Smx Systems, empresa que atua no desenvolvimento destes sistemas. Por enquanto, o foco é o transporte e a entrega de medicamentos e suprimentos da área da saúde, e em circunstâncias em que o tempo é crucial, como em desastres ou emergências médicas. “É capaz de salvar vidas. Tem um enorme viés social”, considera Salomão.

Sem dúvidas uma revolução na forma de fazer logística no Brasil. “Otimiza demais o tempo. É muito eficiente. Realizamos 33 entregas na cidade de Rifaina (SP), em caráter de teste, entre a área urbana e rural, transportando medicamentos. A pessoa demoraria 15 minutos para chegar na farmácia e o drone entregou em sua residência em um minuto e meio”, comemora.

Os drones, no entanto, tem total condição de entregar outros tipos de produtos e a tendência é que se torne uma realidade no Brasil. “Nosso modelo transporta até 2kg em um alcance de 8 km, mas é possível ampliar. Depende da demanda e do drone. Claro que cargas mais pesadas ficam com transporte terrestre. Mas, para se ter uma ideia, 80% dos produtos adquiridos por e-commerce são até 2 kg”, constata.

De acordo com o fundador da Smx, a segurança do drone é garantida. “Tem aparelho até com 6 hélices e paraquedas de emergência em último caso”. Em maio de 2017, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) regulamentou as operações de aeronaves não tripuladas. Drones com mais de 250g devem ser cadastrados e a altura máxima permitida é de 120 metros.

Apesar disso, o entrave, segundo Salomão, ainda é a regulamentação da prática, pois não existe nada específico referente a entregas com drones. “Os governos locais estão avaliando. A tecnologia está pronta, funciona bem e traz muitas vantagens, o que já é um avanço”, pontua.

 

Você conhece alguma dessas empresas? Usa seus serviços? Conta pra gente nos comentários.

 

Por: Paula Bonini, Jornalista, para PARAR Review. 

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